Tarifa de 35% para elétricos e híbridos importados: o que já mudou neste mês
Tarifa de 35% para elétricos e híbridos importados: o que já mudou neste mês
Desde 2022, o Brasil vinha aplicando tarifas de importação crescentes sobre carros elétricos e híbridos importados, numa escala gradual pensada para dar tempo à indústria nacional de se adaptar antes que os importados chegassem em pé de igualdade tributária com os modelos nacionais. Neste mês de julho de 2026, essa escala chegou ao teto: pela primeira vez, duas das três modalidades de importação passam a pagar a alíquota máxima de 35% ao mesmo tempo.
Veículos montados no exterior (CBU) subiram de 25% para 35%. Veículos semi-montados (SKD) saltaram de 0% direto para 35%. Só os veículos desmontados (CKD), que ainda contam com alíquota reduzida até o fim do ano, escapam do teto por enquanto.
O que cada modalidade de importação paga agora
O mercado de elétricos importados opera com três modalidades, definidas pelo grau de montagem do veículo antes de chegar ao Brasil:
- CBU (completamente montado no exterior): subiu de 25% para 35% neste mês de julho de 2026
- SKD (semi-montado, com parte da montagem feita no Brasil): saltou de 0% para 35% neste mês de julho de 2026
- CKD (desmontado, com montagem quase inteira no Brasil): segue em 14% até dezembro de 2026, sobe para 35% em janeiro de 2027
A lógica por trás da régua é simples: quanto mais etapas de montagem acontecem em território nacional, mais tempo a marca ganha antes de pagar a tarifa cheia. Algumas montadoras usaram esse intervalo para montar parte da produção no Brasil e reduzir a alíquota temporariamente. Com o CKD também convergindo para 35% em 2027, essa vantagem tarifária tem prazo de validade — as três modalidades chegam ao mesmo teto, só que em datas diferentes.
A cota zero: um alívio que já tem histórico
O mecanismo de compensação não é novo. O governo já havia criado uma cota de importação com tarifa zero para veículos CKD e SKD entre agosto de 2025 e o início de 2026. Quando esse primeiro alívio expirou, as marcas ficaram sujeitas à tarifa cheia por alguns meses.
Agora, o Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) renovou o mecanismo: uma nova cota de US$ 463 milhões, valendo desde 1º de julho de 2026 por seis meses, novamente restrita a CKD e SKD. O CBU não entra nessa cota — quem importa veículo pronto paga os 35% de qualquer forma, sem alívio.
As marcas que conseguirem se encaixar dentro do limite de US$ 463 milhões importam com isenção de tarifa enquanto durar a cota. Na prática, significa que algumas montadoras vão segurar os preços dos elétricos e híbridos SKD e CKD temporariamente, enquanto o limite não for esgotado. Quando isso acontecer, as tarifas plenas entram em vigor para as importações seguintes — e não há prazo garantido para quando isso ocorre, porque depende do volume de importações das marcas participantes.
A Anfavea, associação que representa as montadoras com fábrica no Brasil, já se manifestou contra o mecanismo, argumentando que a cota zero prejudica a indústria nacional ao permitir que concorrentes importados sigam competindo sem a tarifa plena por mais seis meses.
O impacto nos preços
A tarifa de 35% afeta diretamente os veículos zero quilômetro importados, seja CBU pronto ou SKD fora da cota. Elétricos e híbridos que já estão no mercado nacional não têm o preço alterado diretamente por essa medida.
A lógica indireta, no entanto, existe: se o zero km fica mais caro, menos compradores conseguem acessá-lo. Quem não consegue o zero km começa a buscar alternativas no mercado de seminovos. Isso aumenta a demanda por elétricos e híbridos usados, o que tende a pressionar os preços para cima nesse segmento também. O efeito não é imediato, mas é previsível.
Quando o seminovo é a saída mais inteligente
Para quem quer um elétrico ou híbrido sem pagar a tarifa cheia no zero km, o mercado de seminovos é o caminho mais direto agora.
Modelos de 2023 e 2024 já aparecem nos classificados com preços abaixo do que custaria um zero km com tarifa plena aplicada. A diferença entre comprar um elétrico seminovo de dois anos e um zero km com 35% de imposto pode chegar a R$ 40.000 dependendo do modelo.
O mercado de usados de elétricos ainda tem volume limitado no Brasil, mas está crescendo. No Sul Revendas, elétricos e híbridos anunciados por revendas verificadas do Rio Grande do Sul já aparecem na plataforma.
Na hora de fechar negócio com um elétrico ou híbrido seminovo, vale conferir alguns pontos que não existem no mundo dos carros a combustão: o estado de saúde da bateria (a maioria dos fabricantes disponibiliza um relatório de diagnóstico), se a garantia original da bateria ainda é válida e se ela é transferível para o novo dono, e o histórico de recargas rápidas, que tende a degradar a bateria mais rápido que a recarga lenta doméstica. Revendas verificadas costumam ter esses dados à mão; anúncios informais, nem sempre.
Fonte: Gecex/Camex, julho de 2026.